O Itaú Unibanco projeta um cenário econômico mais difícil para 2027, com crescimento menor do Produto Interno Bruto (PIB), aumento do desemprego e juros elevados por um período mais prolongado. A avaliação foi apresentada pelo presidente-executivo do banco, Milton Maluhy Filho, durante teleconferência sobre os resultados do terceiro trimestre.
De acordo com Maluhy Filho, a piora das perspectivas já provocou uma elevação no custo de capital da instituição, que passou de 14,5% para 15,25%. O executivo afirmou que o comprometimento da renda das famílias e a necessidade de empresas refinanciarem suas dívidas a taxas mais altas devem aumentar as dificuldades no próximo ano.
O presidente do Itaú também destacou que o mercado aguarda definições sobre a equipe econômica e os rumos da política fiscal após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo Maluhy, existem especulações sobre possíveis mudanças na condução das contas públicas, mas ainda não há propostas concretas que permitam avaliar os impactos.
– O mercado, por definição, ele não tem partido, né? Ele olha pra propostas concretas – declarou.
Para Maluhy, será necessário conciliar as políticas fiscal e social em um cenário de pressões inflacionárias. Entre os fatores que podem influenciar os preços em 2027, citou a desvalorização cambial, os combustíveis, a reforma tributária e eventuais mudanças na jornada de trabalho.
– Independentemente de qualquer resultado das urnas, o cenário para 2027 já era desafiador – afirmou.
Questionado sobre a proposta do economista André Lara Resende para reduzir as taxas de juros, que ganhou repercussão nos últimos dias, Maluhy evitou comentar diretamente a iniciativa. O executivo, porém, alertou para os riscos de tentar acelerar a queda dos juros de curto prazo sem que existam condições econômicas para sustentar o movimento.
A piora das perspectivas econômicas também já se reflete no custo de capital do Itaú, que chegou a 15,25%, ante 14,5% anteriormente. Maluhy afirmou que o indicador ainda pode variar conforme as condições econômicas e citou como fatores determinantes os juros de longo prazo, o prêmio de risco das ações, o ambiente institucional e a segurança jurídica.
Apesar das incertezas, o executivo afirmou que a instituição pretende manter uma rentabilidade elevada em 2027. Segundo ele, o banco não enfrenta limitações de capital, liquidez, provisões ou resultados que impeçam a expansão das operações. A principal restrição, na avaliação de Maluhy, está justamente no cenário macroeconômico.
