Uma articulação para tirar Flávia Moretti (PL) do comando da Prefeitura de Várzea Grande teria começado antes mesmo de ela assumir o cargo. Conforme reportagem do site Repórter MT, a investigação da Operação Cathedra Venalis aponta suspeitas de um esquema de mensalinho, financiamento empresarial e controle de votos na Câmara Municipal.

Segundo o Repórter MT, documentos da apuração conduzida pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), com base em delações e relatórios de inteligência, descrevem movimentações para viabilizar a cassação da prefeita e beneficiar interesses de aliados políticos e empresas com contratos no município.

Entre as estratégias mencionadas pelo portal estavam a exploração de vídeos de campanha produzidos com inteligência artificial, apontados como falsos, e a abertura da CPI dos Uniformes Escolares. A comissão questionava o uso do slogan “Transparência, Trabalho e Progresso” nas camisetas dos estudantes. O processo acabou arquivado.

De acordo com a reportagem, o plano inicial previa que o então vice-prefeito, Tião da Zaeli (PL), assumisse a prefeitura após uma eventual cassação. Com a renúncia dele, o interesse na sucessão teria passado ao presidente da Câmara, Wanderley Cerqueira (MDB).

Reunião com revista e celulares recolhidos

O Repórter MT relata que um dos depoimentos prestados ao Gaeco descreve uma reunião organizada pelo vereador Kleberton Feitoza (PSB), ainda em 2024, em seu apartamento, em um condomínio na Avenida Castelo Branco.

Conforme o relato reproduzido pelo site, os participantes passavam por revista de um segurança e precisavam entregar os celulares para impedir gravações.

Na ocasião, segundo o depoimento citado pelo Repórter MT, Kleberton teria afirmado que Tião da Zaeli financiava a eleição da Mesa Diretora em troca de apoio de Wanderley para beneficiar três empresas: WR Cerqueira Construtora Ltda., União Transporte e Turismo Ltda. e Construtora Nhambiquaras Ltda.

O portal identifica a primeira como pertencente ao filho de Wanderley e as outras duas como ligadas a Rômulo Cesar Botelho, irmão do deputado estadual Eduardo Botelho (União).

Cartas de renúncia em branco

Outro episódio descrito pelo Repórter MT envolve a permanência de parlamentares em uma chácara na virada de 2024 para 2025. O imóvel, segundo a publicação, pertence ao vereador Dr. Miguel (Cidadania) e fica no Distrito de Nossa Senhora da Guia, em Cuiabá.

Conforme os relatos apresentados na reportagem, o encontro teria recebido apoio financeiro de Rômulo Botelho, Tião da Zaeli e William Cerqueira, filho de Wanderley.

Ainda segundo o portal, vereadores teriam sido obrigados a assinar cartas de renúncia ao mandato em branco. Os documentos serviriam como instrumento de pressão para garantir os votos na eleição da Mesa Diretora.

Suspeitas na Educação

A reportagem do Repórter MT também informa que os investigadores apuram uma suposta tentativa de influência sobre setores estratégicos da prefeitura, incluindo a Secretaria Municipal de Educação.

Conforme o material citado pelo site, a nomeação de Igor da Cunha Gomes da Silva para comandar a pasta teria como objetivo favorecer empresas ligadas a aliados.

Entre as suspeitas relatadas estão serviços em telhados de creches. Segundo a publicação, os pagamentos contemplariam reformas integrais, enquanto a execução se limitaria à substituição de parte das telhas.

O Repórter MT destaca ainda um trecho do relatório sobre o vereador Cilço da Cruz Filho, o Cilcinho (PV). Conforme o documento citado pelo portal, ele enfrentava dificuldades financeiras e teria vendido uma Fiat Toro, mas apareceu dias antes da eleição da Mesa Diretora dirigindo um Toyota Corolla Cross novo. A situação levantou suspeitas na investigação sobre a origem dos recursos.

Tião nega acusações

Em nota reproduzida pelo Repórter MT, Tião da Zaeli negou as acusações e afirmou que elas são infundadas e não correspondem aos fatos.

O ex-vice-prefeito declarou que renunciou voluntariamente em 31 de março, por discordar do cenário político e dos rumos da administração municipal.

Ainda conforme a manifestação publicada pelo portal, Tião afirmou respeitar o Ministério Público, o Judiciário e a imprensa, disse confiar na apuração imparcial e se colocou à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.

Empresa contesta suspeitas

A União Transportes também se manifestou, conforme publicou o Repórter MT. A empresa afirmou que não foi alvo de medidas judiciais na operação e declarou que não está sob investigação no caso.

Segundo a nota reproduzida pelo site, as menções a um suposto financiamento se apoiam em relatos indiretos de terceiros, sem comprovação. A empresa negou qualquer prática ilícita e informou que permanece à disposição das autoridades.

De acordo com o Repórter MT, o material reunido pelo Gaeco continuará a ser confrontado com depoimentos, dados obtidos por quebras de sigilo telemático e outras diligências do procedimento investigatório. As suspeitas descritas na reportagem seguem em apuração.

Fonte: Repórter MT.



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