A estratégia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de seus aliados para reduzir a abstenção no segundo turno das eleições presidenciais pode produzir um efeito diferente do esperado. Isso porque os maiores índices de eleitores ausentes no primeiro turno ocorreram justamente nas regiões onde Flávio Bolsonaro (PL) obteve vantagem sobre o petista.

De acordo com os números divulgados pelo Diário do Poder, o Sudeste registrou abstenção de 22,7%, enquanto o Centro-Oeste apresentou índice de 21,7%. As duas regiões tiveram percentuais superiores à média nacional e concentraram uma parcela importante dos eleitores que não compareceram às urnas.

O presidente do instituto Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, avalia que uma eventual redução da abstenção poderia beneficiar Flávio Bolsonaro, considerando a distribuição regional dos votos no primeiro turno.

Em entrevista ao programa Jornal Gente, da Rádio Bandeirantes, Hidalgo também demonstrou ceticismo em relação à possibilidade de Lula conseguir reverter o cenário eleitoral apenas com o comparecimento de mais eleitores.

Abstenção atingiu 33,4 milhões de brasileiros

O primeiro turno das eleições de 2026 registrou abstenção de 21,08%, equivalente a aproximadamente 33,4 milhões de eleitores que deixaram de votar. Segundo os dados divulgados, esse foi o maior percentual de ausência já registrado em um primeiro turno presidencial no Brasil.

No Nordeste, região onde Lula conquistou ampla vantagem, o índice de abstenção ficou em 18,39%, o menor entre as regiões brasileiras.

A diferença chama a atenção porque revela comportamentos distintos do eleitorado. Enquanto o Nordeste apresentou maior comparecimento proporcional, Sudeste e Centro-Oeste tiveram mais eleitores ausentes.

Outro dado destacado no levantamento aponta que, na comparação entre 2022 e 2026, a abstenção cresceu nas regiões onde o candidato da família Bolsonaro obteve mais votos e diminuiu nas regiões em que Lula venceu.





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