A vereadora Luciana Abreu Horta não participou da sessão ordinária da Câmara Municipal de Rondonópolis realizada nesta quarta-feira (22). No mesmo dia, ela esteve em Cuiabá participando da convenção estadual do Partido Liberal (PL), evento que oficializou as candidaturas da sigla para as eleições deste ano.
A ausência ocorreu poucas semanas após a publicação da Portaria nº 41.613, de 2 de julho, que revogou sua designação como Médica Responsável Técnica do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Na prática, a parlamentar deixou de exercer a função que desempenhava no serviço.
A sequência dos acontecimentos passou a repercutir nos bastidores políticos de Rondonópolis e também em grupos de WhatsApp. O principal questionamento levantado é a aparente contradição entre o discurso adotado pela parlamentar na Câmara, onde frequentemente cobra melhorias para a saúde pública, e a decisão de deixar a atuação no SAMU para possivelmente cumprir agenda política, enquanto o Portal da Transparência continua registrando a remuneração do cargo efetivo de médica.
Dados disponíveis no Portal da Transparência mostram que Luciana Horta recebe subsídio de R$ 17.300 como vereadora, além de R$ 12.975 de verba indenizatória.
No mesmo portal também consta remuneração mensal de R$ 14.820,92 referente ao cargo efetivo de médica do município.
Somados, os valores registrados no Portal da Transparência ultrapassam R$ 45 mil mensais em remuneração vinculada aos cargos públicos ocupados pela parlamentar.
Embora a manutenção da remuneração do cargo efetivo possa estar amparada pela legislação aplicável aos servidores públicos, o debate que ganhou força nos bastidores não se limita ao aspecto jurídico. O foco das críticas está no campo político e ético. Para os críticos, a rede municipal de urgência deixa de contar com uma médica experiente justamente enquanto a vereadora mantém um discurso de forte cobrança por melhorias na saúde pública, situação que, para eles, transmite uma mensagem contraditória à população.
