O embate político entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (26), após declarações sobre investimentos federais e a relação entre os governos.
Durante agenda em Santa Catarina, Lula afirmou que o Governo Federal buscou uma parceria com o Estado para viabilizar projetos da ordem de R$ 24 bilhões, mas que a proposta não teria avançado por falta de interesse do governo catarinense.
Em resposta, Jorginho Mello negou que o Estado tenha recebido uma oferta de investimento nesses moldes. Segundo o governador, o valor citado pelo presidente se refere a um projeto de concessão de rodovias estaduais à iniciativa privada, que incluiria a implantação de pedágios.
“O Lula toda vez que vem para cá não entrega nada. Só vem para falar mal da gente. Nunca nos ofereceram esse investimento. O que o ministro está falando é o projeto de concessão para pedagear as nossas estradas estaduais. Esses mais de 3 mil quilômetros que reformamos com o programa Estrada Boa, eles queriam que uma empresa arrumasse para depois cobrar pedágio. Esse é o tal dos R$ 24 bilhões”, declarou Jorginho.
O governador também criticou a situação da BR-101 e cobrou investimentos federais na rodovia. “Fazer a BR-101, que está parada, vocês não querem. Um engarrafamento aqui na BR-101 e a gente espera que isso seja resolvido”, afirmou.
Outro ponto de tensão ocorreu após Lula defender as políticas de cotas raciais e fazer críticas às declarações de Jorginho sobre o tema. O presidente afirmou que “não se pode permitir que prevaleça o racismo em Santa Catarina” e citou Adolf Hitler ao condenar ideias de supremacia racial. A fala ocorreu em referência ao posicionamento do governador contrário às cotas raciais.
As declarações ampliam o clima de confronto político entre os governos federal e estadual, em um momento de discussões sobre infraestrutura, investimentos e pautas relacionadas às eleições de 2026.
