A convocação de 283 policiais penais anunciada pelo Governo de Mato Grosso reacendeu o debate sobre a situação da segurança pública no Estado. Embora a medida represente um reforço para o sistema penitenciário, dados oficiais mostram que o déficit de efetivo nas forças de segurança permanece elevado e ultrapassa 9 mil profissionais em todo o Estado.

Levantamento baseado em dados oficiais revela que somente a Polícia Militar de Mato Grosso opera com um déficit de 6.252 policiais. Conforme o Lotacionograma da Polícia Militar, publicado no Diário Oficial do Estado (IOMAT) referente ao 1º trimestre de 2025, a corporação possui 13.384 cargos previstos em lei, mas apenas 7.132 estão ocupados. Na prática, quase 47% do efetivo autorizado está vago.

Além da Polícia Militar, a Polícia Civil e a Polícia Penal também enfrentam carência de servidores, elevando o déficit total das forças de segurança para mais de 9 mil profissionais.

Os números ganham ainda mais relevância diante das características de Mato Grosso. O Estado possui mais de 900 quilômetros de fronteira internacional, concentra uma das maiores produções agropecuárias do mundo, movimenta milhões de toneladas de cargas pelas rodovias e figura entre os estados com maiores índices de feminicídio do país.

Durante entrevista à TV Senado nesta terça-feira (16), o senador Wellington Fagundes (PL), pré-candidato ao Governo de Mato Grosso, afirmou que a convocação anunciada pelo atual governador Otaviano Pivetta, está muito distante das reais necessidades da população.

“O que preocupa é que Mato Grosso continua convivendo com um déficit expressivo de policiais em todas as áreas da segurança pública. A população quer resultados concretos, quer segurança nas ruas, quer combate efetivo ao crime organizado e proteção para as famílias”, afirmou.

Para Wellington, o desafio da segurança pública exige planejamento permanente e não medidas pontuais.

“Dados oficiais mostram que faltam mais de seis mil policiais militares no Estado. Estamos falando de um déficit próximo de metade do efetivo previsto em lei. Em outras palavras, Mato Grosso tem praticamente um policial faltando para cada policial em atividade”, destacou.

Segundo o senador, a situação se torna ainda mais grave diante do avanço das organizações criminosas que atuam, principalmente, na região de fronteira.

“Não adianta discutir de quem é a responsabilidade. Nos estados, a segurança pública é dever dos governos estaduais. Mas, quando falamos em segurança nacional e faixa de fronteira, é fundamental a participação do governo federal, das Forças Armadas, da Polícia Federal, em uma ação coordenada e permanente”, afirmou.

Wellington também defendeu uma atuação integrada entre os governos estadual e federal para fortalecer o combate ao tráfico de drogas, armas e contrabando.

“Não interessa se é terrorista, se é criminoso, se é bandido ou se é integrante do crime organizado. O que interessa para o cidadão é que o crime seja combatido e que exista uma ação efetiva do Estado para garantir a segurança da população”, declarou.

Ressaltou ainda que a deficiência de efetivo impacta diretamente o enfrentamento à violência contra a mulher. Mato Grosso tem registrado índices alarmantes de feminicídio nos últimos anos, exigindo maior presença do Estado, fortalecimento das delegacias especializadas, ampliação das investigações e proteção efetiva às vítimas.

“Mato Grosso enfrenta desafios cada vez maiores no combate ao crime organizado, ao tráfico de drogas, à violência urbana e aos crimes contra as mulheres. Isso exige investimento em inteligência, tecnologia, valorização profissional e recomposição adequada dos quadros das forças de segurança”, disse.

A convocação recente de 283 policiais penais não resolve o problema estrutural da segurança pública mato-grossense, segundo Fagundes.

“Quando o Estado possui um déficit superior a nove mil profissionais e anuncia a convocação de pouco mais de 280 servidores às vésperas de uma eleição, é natural que a população questione se estamos diante de uma política pública efetiva ou apenas de uma ação de impacto midiático. Segurança pública exige planejamento, continuidade e compromisso com resultados”, concluiu.



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