O ex-governador Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, reagiu nesta quarta-feira (15) aos ataques feitos pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e afirmou que não se sentiu intimidado pelas declarações do magistrado. Em resposta, Zema adotou tom duro e disse que o ministro estaria acostumado a “ameaçar” integrantes da chamada “velha política”.
– Você pode estar acostumado a ameaçar seus amiguinhos da velha política que jogam tudo pra debaixo do tapete e resolvem nas escondidas. Comigo é diferente. Não vai me intimidar desse jeito não – escreveu em uma postagem no Instagram.
Em uma entrevista ao site O Antagonista, que o político compartilhou em suas redes na mesma publicação, o ex-governador também criticou o que chamou de “modelo mental” de Gilmar Mendes, e afirmou que, pela declaração do ministro, uma decisão favorável do STF a Minas Gerais estaria sendo usada como forma de pressioná-lo politicamente.
– Ele deu uma decisão favorável a Minas Gerais, e agora descobri que foi um favor para eu ser submisso a ele pelo resto da vida – declarou.
Zema ainda levantou suspeitas sobre a motivação de decisões da Corte, afirmando que haveria concessão de “vantagens” aos ministros.
– Dá pra ver como eles pensam. Se eles decidem a favor de alguém, é pra tirar vantagem – afirmou.
A troca de críticas ocorre após Gilmar Mendes ironizar o ex-governador por críticas recentes ao Supremo. O ministro disse que Zema recorreu ao STF em diversas ocasiões e apontou contradição no discurso do político.
– A contradição é latente: quando o STF profere decisões que garantem o fluxo de caixa ou suprem omissões do Legislativo local, a Corte é acessada como agente necessário ao funcionamento da máquina estatal (…). Contudo, basta que a Corte contrarie interesses políticos desse grupo para que o pragmatismo jurídico dê lugar a chavões vazios de “ativismo judicial” e a ataques à honra dos ministros – disse.
O embate se intensificou após Zema defender, em um evento em São Paulo, o afastamento e até a prisão dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, em meio a investigações que envolvem o Banco Master.
