Esculachado pelos seus pares quando votou pela absolvição de Jair Bolsonaro no julgamento da “trama golpista”, o ministro Luiz Fux deu o troco na última semana, em meio ao clima de cortar com faca no STF.
Durante o julgamento que definirá se a eleição para o mandato-tampão de governador do Rio de Janeiro será direta ou indireta, sucederam-se comentários de Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Flávio Dino a respeito da situação degradante da política fluminense, na qual não há governador recente que não tenha sido preso ou forçado a sair do cargo.
O decano chegou a afirmar que o diretor da PF o informou de que “32 ou 34 parlamentares da Assembleia (Legislativa fluminense) recebem mesada do jogo do bicho”. E ele completou: “Estamos vivendo esses episódios a toda hora; Deus tenha piedade do Rio de Janeiro”.
Abro parêntese. Diante dessa indecência, não teria sido o caso de o ministro, normalmente tão cheio de iniciativas, ter exigido uma providência? Fecho parêntese.
Carioca com muito orgulho, muito sotaque e muitas amizades na sua cidade natal e no estado do qual ela é capital, Fux sentiu-se na obrigação de tomar as dores dos políticos fluminenses — e aproveitou para fazê-lo atirando areia no ventilador.
O ministro disse que as falas dos ministros comentaristas foram “manifestação de profundo descrédito em relação ao Rio de Janeiro de forma generalizada” e prosseguiu:
“Eu até credito que muitos assim o fizeram, porque ingressaram no Supremo Tribunal Federal em época posterior, mas essa perplexidade não seria tão grande se colegas tivessem participado do julgamento do mensalão, do julgamento da Lava Jato, desse julgamento agora do INSS e do Banco Master, porque os escândalos não são concentrados no estado do Rio de Janeiro. Há bons políticos no estado do Rio de Janeiro, que representam o estado na Câmara Federal. São excelentes políticos. De sorte que se esses políticos tiverem que ir para o inferno, eles vão acompanhados de altas autoridades.”
