A CPI do Crime Organizado do Senado avançou nesta quarta-feira (25/03) ao ouvir o ex-governador de Mato Grosso, Pedro Taques, convocado como testemunha para tratar de denúncias envolvendo o sistema de crédito consignado, o Banco Master, a empresa Capital Consig e um acordo de cerca de R$ 308 milhões firmado entre o governo estadual e a Oi.

Durante o depoimento, Taques apresentou denúncias com base em dados públicos e movimentações financeiras, apontando que recursos teriam circulado por fundos ligados ao Banco Master e chegado a empresas relacionadas a pessoas do entorno do governo estadual.

Segundo ele, o banco teria coordenado uma rede de instituições financeiras que atuavam no crédito consignado, com práticas como dificuldade de acesso a informações pelos servidores e contratos firmados, em alguns casos, sem autorização do Banco Central. Taques afirmou ainda que cerca de 45 mil servidores estaduais possuem empréstimos vinculados a empresas ligadas ao grupo.

O ex-governador também levantou suspeitas sobre um acordo envolvendo a devolução de impostos à empresa Oi. De acordo com ele, o valor de R$ 308 milhões teria sido direcionado a fundos administrados pelo Banco Master, Royal Capital e Lotte Word e, posteriormente, repassado a empresas ligadas a aliados políticos no estado.

Taques ainda chamou atenção para o uso de fundos de investimento como possível mecanismo de ocultação de recursos, afirmando que essas estruturas permitem a circulação do dinheiro até o destino final, o que, segundo ele, exige maior fiscalização por parte dos órgãos competentes.

Outro ponto abordado foi a edição de decretos estaduais que ampliaram a margem de comprometimento de renda para empréstimos consignados em diferentes estados, como Mato Grosso, Bahia, Roraima, Alagoas, Minas Gerais, Acre, Espírito Santo e Sergipe. Segundo Taques, os textos e datas semelhantes dos decretos levantam suspeitas que, segundo ele, devem ser investigadas.

Diante da gravidade das declarações, senadores questionaram as conclusões apresentadas e destacaram a necessidade de aprofundamento das apurações, inclusive considerando o contexto político no estado.

O senador e pré-candidato ao governo de Mato Grosso, Wellington Fagundes (PL-MT), líder do Bloco Vanguarda no Senado, defendeu cautela na análise das denúncias, especialmente por se tratar de um cenário pré-eleitoral. “Isso não pode ficar na falácia, isso tem que ser esclarecido”, afirmou.

Wellington também avaliou que os elementos apresentados indicam possíveis conexões entre as operações investigadas. “Tudo isso parece uma teia ligada a esse esquema do Banco Master”, ressaltou.

O senador defendeu a quebra de sigilo dos envolvidos como medida essencial para o avanço das investigações. “Não tem outra forma que não seja a quebra de sigilo, para que a gente possa dar satisfação e mostrar a verdade, doa a quem doer.”

Ele reforçou que as denúncias precisam ser comprovadas com documentação. “Quem está fazendo as denúncias tem que provar, tem que apresentar os documentos.” Segundo ele, com a aprovação dos requerimentos, a CPI terá condições de avançar na apuração e dar respostas à população.



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