Um caso registrado na Polícia Civil em Rondonópolis investiga a suspeita de falsidade envolvendo um líder religioso que teria alegado enfrentar câncer para arrecadar dinheiro entre fiéis. O boletim de ocorrência aponta que o homem afirmou sofrer de câncer de reto e, com base nisso, participantes da congregação promoveram apelos públicos na internet para levantar recursos destinados ao suposto tratamento médico.
De acordo com o registro policial, uma vaquinha on-line realizada em abril de 2025 arrecadou R$ 11.210,38. Além disso, também ocorreram rifas, bazares solidários e divulgação de vídeos pedindo doações, sem que os participantes consigam estimar o valor total obtido por essas ações paralelas.
O comunicante relatou que o valor arrecadado na vaquinha chegou a ser sacado, porém o responsável pela campanha nunca apresentou esclarecimentos ou prestação de contas sobre a destinação do dinheiro aos fiéis que contribuíram. Diante das suspeitas, o denunciante buscou informações em hospitais, unidades de pronto atendimento e junto a um plano de saúde, mas não encontrou qualquer registro de diagnóstico ou tratamento oncológico em nome do suspeito.
Ainda conforme o boletim, as vítimas afirmam temer eventual responsabilização judicial, já que participaram dos apelos públicos para arrecadação acreditando que se tratava de um tratamento médico real. O caso ganhou novos contornos após a apresentação de um laudo médico que indica apenas a realização de exames de rastreio, sem qualquer evidência de neoplasia ou confirmação de câncer, reforçando as desconfianças relatadas à polícia.
A organização religiosa informou que afastou temporariamente o líder até o esclarecimento dos fatos. Fiéis que procuraram a redação afirmam que o afastamento ocorreu justamente porque não existe comprovação de que ele tenha enfrentado a doença alegada. A Polícia Civil registrou o caso e deve apurar os fatos para verificar a eventual prática de crime relacionado à arrecadação e ao uso dos valores obtidos.
