{"id":18632,"date":"2026-06-11T23:47:49","date_gmt":"2026-06-12T02:47:49","guid":{"rendered":"https:\/\/ligana104.com.br\/2021\/2026\/06\/11\/o-problema-nao-e-bolsonaro\/"},"modified":"2026-06-11T23:47:50","modified_gmt":"2026-06-12T02:47:50","slug":"o-problema-nao-e-bolsonaro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ligana104.com.br\/2021\/2026\/06\/11\/o-problema-nao-e-bolsonaro\/","title":{"rendered":"O Problema N\u00e3o \u00c9 Bolsonaro"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>Desde as manifesta\u00e7\u00f5es de 2013, uma parte expressiva da elite pol\u00edtica brasileira parece incapaz de compreender a natureza da insatisfa\u00e7\u00e3o que tomou conta das ruas.<\/p>\n<p>Milh\u00f5es de brasileiros sa\u00edram para protestar inicialmente contra o aumento das passagens de \u00f4nibus. Mas rapidamente ficou evidente que o problema era muito maior. A popula\u00e7\u00e3o expressava um sentimento difuso de revolta contra servi\u00e7os p\u00fablicos prec\u00e1rios, corrup\u00e7\u00e3o, privil\u00e9gios, burocracia excessiva e uma sensa\u00e7\u00e3o crescente de distanciamento entre governantes e governados.<\/p>\n<p>As institui\u00e7\u00f5es ouviram o barulho das ruas, mas n\u00e3o compreenderam sua mensagem.<\/p>\n<div class=\"g g-90\">\n<div class=\"g-single a-86\"><a class=\"gofollow\" data-track=\"ODYsOTAsMSw2MA==\" href=\"https:\/\/www.guicheweb.com.br\/52-exposul_52840\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><\/a><\/div>\n<\/div>\n<p>Em 2016, ap\u00f3s anos de manifesta\u00e7\u00f5es, a press\u00e3o popular contribuiu para o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Em 2018, a mesma energia pol\u00edtica levou \u00e0 elei\u00e7\u00e3o de Jair Bolsonaro, um candidato visto como outsider, algu\u00e9m que prometia romper com pr\u00e1ticas que grande parte da popula\u00e7\u00e3o identificava como s\u00edmbolos do sistema pol\u00edtico tradicional.<\/p>\n<p>Entretanto, mesmo ap\u00f3s a vit\u00f3ria eleitoral, o conflito n\u00e3o diminuiu. Pelo contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>Desde os primeiros meses do novo governo, surgiram discuss\u00f5es sobre impeachment, disputas institucionais permanentes, judicializa\u00e7\u00e3o intensa da pol\u00edtica e um ambiente de confronto cont\u00ednuo. Os apoiadores de Bolsonaro passaram a interpretar essas movimenta\u00e7\u00f5es como uma tentativa de neutralizar, por outros meios, uma escolha que havia sido feita nas urnas.<\/p>\n<p>Durante o processo eleitoral seguinte, a percep\u00e7\u00e3o de desequil\u00edbrio se aprofundou entre milh\u00f5es de brasileiros. Decis\u00f5es judiciais envolvendo censura de conte\u00fados, remo\u00e7\u00e3o de perfis e restri\u00e7\u00f5es ao debate pol\u00edtico foram vistas por muitos cidad\u00e3os como interven\u00e7\u00f5es incompat\u00edveis com a liberdade de express\u00e3o e com a igualdade de condi\u00e7\u00f5es entre os competidores.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s os acontecimentos de janeiro de 2023, milhares de pessoas foram investigadas, denunciadas ou presas. Independentemente da avalia\u00e7\u00e3o jur\u00eddica de cada caso, consolidou-se em parte significativa da sociedade a percep\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o se tratava apenas da puni\u00e7\u00e3o de crimes espec\u00edficos, mas da criminaliza\u00e7\u00e3o de um movimento pol\u00edtico inteiro.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse ponto que muitos analistas continuam cometendo o mesmo erro.<\/p>\n<p>Acreditam que Bolsonaro produz o fen\u00f4meno social. Talvez a rela\u00e7\u00e3o seja inversa.<\/p>\n<p>Talvez Bolsonaro seja consequ\u00eancia, e n\u00e3o causa.<\/p>\n<p>Talvez ele tenha se tornado a principal express\u00e3o pol\u00edtica de uma insatisfa\u00e7\u00e3o que j\u00e1 existia antes dele e que continuar\u00e1 existindo depois dele.<\/p>\n<p>Prender Bolsonaro n\u00e3o elimina as raz\u00f5es que levaram milh\u00f5es de brasileiros \u00e0s ruas em 2013. N\u00e3o reduz a carga tribut\u00e1ria. N\u00e3o diminui a sensa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a. N\u00e3o resolve a percep\u00e7\u00e3o de impunidade. N\u00e3o reduz a burocracia. N\u00e3o aproxima as institui\u00e7\u00f5es do cidad\u00e3o comum.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o central talvez n\u00e3o seja a polariza\u00e7\u00e3o entre esquerda e direita.<\/p>\n<p>Essa explica\u00e7\u00e3o, embora contenha elementos verdadeiros, parece insuficiente para explicar a profundidade do fen\u00f4meno.<\/p>\n<p>O conflito que emerge repetidamente nas ruas parece refletir algo mais fundamental: a sensa\u00e7\u00e3o crescente de que existe uma dist\u00e2ncia cada vez maior entre quem exerce poder e quem suporta o peso de suas decis\u00f5es.<\/p>\n<p>De um lado, uma estrutura estatal que cresce continuamente, amplia tributos, regula cada aspecto da vida social e concentra cada vez mais poder em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>De outro, cidad\u00e3os que sentem trabalhar mais, pagar mais impostos e receber menos retorno.<\/p>\n<p>Essa tens\u00e3o n\u00e3o desaparece com pris\u00f5es, censura ou decis\u00f5es judiciais. Tamb\u00e9m n\u00e3o desaparece com elei\u00e7\u00f5es isoladas.<\/p>\n<p>Ela s\u00f3 pode ser enfrentada quando as institui\u00e7\u00f5es compreenderem que sua legitimidade n\u00e3o decorre apenas da legalidade formal, mas tamb\u00e9m da capacidade de responder \u00e0s demandas da sociedade que representam.<\/p>\n<p>Bras\u00edlia precisa lembrar uma verdade elementar de qualquer democracia: o poder emana do povo.<\/p>\n<p>O Brasil j\u00e1 enviou esse aviso em 2013.<\/p>\n<p>Talvez a pergunta mais importante n\u00e3o seja por que milh\u00f5es de brasileiros continuam revoltados.<\/p>\n<p>Talvez a pergunta seja por que, depois de tantos anos, tantos ainda se recusam a ouvir.<\/p>\n<p><em>Z\u00e9 Medeiros \u00e9 deputado federal e candidato ao senado por MT<\/em><br \/>\n<!-- H&aacute; banners, eles s&atilde;o deficientes ou nenhum qualificado para este local! --><\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/rgtnews.com.br\/noticias\/politica\/o-problema-nao-e-bolsonaro\/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=o-problema-nao-e-bolsonaro\">Fonte da Noticia <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde as manifesta\u00e7\u00f5es de 2013, uma parte expressiva da elite pol\u00edtica brasileira parece incapaz de compreender a natureza da insatisfa\u00e7\u00e3o que tomou conta das ruas. 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